Quanto cobrar por sessão de psicologia em 2026

por Mauricio Moraes
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“Quanto eu cobro?” é uma das perguntas mais frequentes de quem abre consultório, e a resposta mais comum é olhar o que os colegas cobram. Faz sentido como termômetro, mas é um ponto de partida ruim: o seu custo, a sua carga de atendimento e a sua cidade não são os do colega. Um valor copiado pode deixar o consultório no vermelho sem que você perceba.

Aqui não vai um número mágico. Vai um método para chegar ao seu, e uma conta que você pode refazer sempre que algo mudar.

O que a tabela do CFP e da FENAPSI é, e o que não é

O Conselho Federal de Psicologia e a Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI) divulgam uma tabela de referência de honorários, calculada com apoio do DIEESE. A atualização mais recente que localizei no site do CFP é de setembro de 2023, com valores para vigência a partir de 1º de junho de 2023, corrigidos pelo INPC-IBGE. Pode haver versão mais nova, então confira no site do CFP antes de usar.

Duas observações sobre ela. A primeira: é uma referência para atualização de valores, e não um preço obrigatório. A segunda: como os valores têm data, eu prefiro não reproduzi-los aqui. Consulte a tabela diretamente para ver os números e a metodologia. Ela é útil para saber se o seu preço está muito abaixo do que a categoria considera justo, mas não substitui a conta do seu consultório.

Sobre a ética da remuneração, o Código de Ética Profissional (Resolução CFP 010/2005) orienta que o valor seja fixado levando em conta a justa retribuição pelo serviço e as condições de quem é atendido. Confira o texto oficial no site do CFP para citar com precisão.

O método em seis passos

1. Some seus custos fixos mensais

Inclua tudo o que o consultório custa por mês: aluguel (ou a parte que cabe a você numa sala dividida), condomínio, internet, software, contador, material, marketing, supervisão, análise pessoal e formação continuada, se forem regulares. Depois some o quanto você precisa retirar para viver. O erro mais comum é deixar sua própria retirada fora da conta e tratar o que sobra como “lucro”.

2. Defina suas horas de atendimento

Quantas sessões por semana você quer atender de forma sustentável? Isso é diferente de quantas cabem na agenda. Atendimento clínico exige energia, e o número de sessões por dia que você aguenta sem perder qualidade é um dado da sua conta, não um detalhe. Lembre também do tempo que não é atendimento: registro, agenda, financeiro, supervisão.

3. Considere a taxa de ocupação

Dificilmente toda a agenda estará preenchida. Se você tem 20 horários por semana e, em média, 14 estão ocupados, a ocupação é de 70%. Quem está começando costuma ter ocupação menor, e o preço precisa refletir a realidade atual, ou então você precisa ter reserva para o período de construção da agenda.

4. Considere as faltas sem reposição

Faltas sem reposição e sem cobrança são horas de agenda que não geram receita. Estime a sua taxa de faltas dos últimos meses. Se não souber, o controle de agenda e dos recebimentos mostra isso. O texto sobre como reduzir faltas no consultório aprofunda o tema.

5. Considere impostos

Quem atende como pessoa física autônoma geralmente precisa pagar Carnê-Leão sobre o que recebe de pacientes pessoas físicas, além da contribuição previdenciária. Quem atende por CNPJ tem outro regime. A carga depende da sua situação, então vale falar com um contador. Para estimar o Carnê-Leão, use o simulador de Carnê-Leão. O verbete Carnê-Leão do glossário e o guia do Receita Saúde explicam como os recibos entram nessa conta.

6. Acrescente uma margem

Uma margem para imprevistos, férias, períodos de agenda baixa e para investir no consultório. Sem margem, qualquer mês fraco vira prejuízo.

Um exemplo de conta

Os números abaixo são hipotéticos e servem só para mostrar a aritmética. Não são referência de preço.

  • Custos fixos mensais, incluindo a sua retirada: R$ 4.000.
  • Horários de atendimento: 20 por semana, ou 80 por mês.
  • Ocupação média: 70%, ou 56 sessões realizadas.
  • Faltas sem reposição: 10%, o que deixa cerca de 50 sessões pagas.
  • Impostos de 6% e margem de 10%, ou 16% do valor da sessão.

Primeiro, o valor necessário para cobrir os custos: R$ 4.000 dividido por 50 sessões dá cerca de R$ 80. Como 16% de cada sessão não fica com você (imposto e margem), divide-se por 0,84, e o resultado é perto de R$ 95.

A lógica é o que importa: o preço é custo dividido por sessões pagas, ajustado por imposto e margem. Se a ocupação sobe para 90%, o mesmo custo se espalha em mais sessões e o valor mínimo cai. Se as faltas dobram, o valor sobe. A calculadora de preço da consulta faz essa conta com os seus números, mostra o valor mínimo e estima quanto as faltas custam por mês e por ano. Os dados ficam no seu navegador.

Depois do valor mínimo

O valor que a calculadora devolve é o piso do seu consultório, ou seja, abaixo dele você trabalha para cobrir o próprio custo. Entre esse piso e o preço que você de fato pratica, entram outras considerações:

  • Referências externas. A tabela do CFP e da FENAPSI e o que colegas da sua região praticam mostram o contexto.
  • Experiência e formação. Anos de prática, especializações e público atendido influenciam, desde que você consiga sustentar o valor com clareza.
  • Modalidade. Atendimento online e presencial podem ter custos diferentes.
  • Atendimento social ou reduzido. Se você oferece vagas com valor reduzido, trate isso como uma decisão consciente, com número de vagas definido, e não como exceção que se acumula.
  • Reajuste. Reveja o valor uma vez por ano, no mínimo. Avise os pacientes com antecedência e explique o critério.

Combine o valor, a forma de pagamento e a política de faltas e cancelamento no início do acompanhamento, de preferência por escrito, em um contrato terapêutico. Isso evita conversas desconfortáveis depois.

Cobrar também é controlar

Definir o preço é metade do trabalho. A outra metade é saber quanto entrou, de quem e quando. No Ordexa há o controle de recebimentos e o recibo para imprimir, com os dados que você usa no Receita Saúde, além da agenda com sessões semanais recorrentes. Isso mostra quantas sessões você realmente fez no mês, que é o número que alimenta a conta acima. O plano Grátis atende até 50 pacientes, e o Consultório custa R$ 39,90 por mês ou R$ 399 por ano. Veja os detalhes na página de planos e no sistema para psicólogos.

Resumo

Parta dos seus custos, das horas que você consegue atender, da ocupação e das faltas reais. Acrescente imposto e margem. Compare com a tabela do CFP e da FENAPSI, e com o mercado local, como referência. Registre o que combinou com o paciente e reveja o valor todo ano. Um preço calculado é mais fácil de sustentar numa conversa com o paciente do que um preço que “parece razoável”.

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Mauricio Moraes

Mauricio Moraes

Engenheiro formado no ITA e apaixonado por aviões. Ele gosta de aplicar a tecnologia para facilitar as tarefas do dia a dia.

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