Prontuário do paciente: o que é e o que deve conter

por Mauricio Moraes · atualizado em 15/10/2026
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O prontuário do paciente é o registro organizado de tudo o que envolve o cuidado de uma pessoa: quem ela é, por que procurou você, o que foi avaliado, o que foi feito e como o caso evoluiu. Ele existe para garantir a continuidade do atendimento e documentar o que o profissional fez. O que ele deve conter, como é guardado e quem pode acessá-lo variam conforme a profissão, então o texto oficial do seu conselho é sempre a referência final.

Este guia reúne o essencial para quem atende em consultório: conceito, conteúdo, obrigações, papel versus eletrônico, rotina de organização e erros mais comuns.

O que é o prontuário do paciente

É o documento, em papel ou digital, onde o profissional registra o atendimento. Ele não é um relatório para o paciente nem um diário pessoal. É um registro técnico, feito para quem cuida e para dar conta do que foi feito.

Cada categoria profissional tem suas normas sobre o tema. No caso da psicologia, por exemplo, o registro documental está tratado na Resolução CFP nº 1/2009. Em outras áreas, a norma é do respectivo conselho. Se quiser entender como funciona o conceito em formato digital, veja o verbete sobre prontuário eletrônico.

O que o prontuário deve conter

O conteúdo exato muda por especialidade, mas esta estrutura serve de base.

  • Identificação: nome completo, data de nascimento, contato, responsável legal quando houver e, se for o caso, convênio ou forma de pagamento.
  • Motivo da procura e anamnese: o que trouxe a pessoa, histórico relevante e contexto. Veja o verbete sobre anamnese.
  • Avaliação e plano: o que você observou, a hipótese de trabalho e a conduta planejada.
  • Evolução: registro de cada atendimento, com data, o que foi trabalhado e encaminhamentos. Entenda melhor a evolução clínica.
  • Documentos emitidos: declarações, relatórios, encaminhamentos, receitas e recibos, com cópia no prontuário.
  • Consentimentos: termos assinados, como contrato de atendimento, consentimento para atendimento online, gravação de áudio e tratamento de dados.
  • Anexos: exames, laudos de terceiros e outros arquivos recebidos.

Você registra o necessário para o cuidado e para a responsabilidade profissional, sem acumular detalhes que não servem a nenhum dos dois.

Obrigações ligadas ao prontuário

Sigilo

Tudo o que consta no prontuário é protegido por sigilo. Isso vale para o registro, para quem tem acesso a ele e para o modo como ele é compartilhado. Leia mais sobre sigilo profissional.

Guarda

Os conselhos definem prazos e formas de guarda. Para psicólogos, a Resolução CFP nº 1/2009 estabelece guarda mínima de 5 anos. Para as outras profissões, confira o prazo no site do conselho. Há um verbete resumindo o tema do tempo de guarda do prontuário.

Acesso do paciente

Em geral, o paciente tem direito de obter informações sobre o próprio atendimento. Como isso se dá na prática, em que formato e com quais limites, varia conforme a profissão e o caso. Em dúvida, consulte o seu conselho.

Proteção de dados

Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela LGPD (Lei 13.709/2018). Isso pede cuidado no acesso, no armazenamento e no compartilhamento. O post sobre LGPD e dados de saúde detalha o tema.

Prontuário eletrônico x prontuário em papel

A Lei 13.787/2018 trata da digitalização e da utilização de sistemas informatizados para a guarda, o armazenamento e o manuseio de prontuários. Em linhas gerais, ela abre caminho para o prontuário eletrônico, desde que haja requisitos de segurança, como controle de acesso e integridade. Os detalhes técnicos e as regras específicas da sua profissão devem ser conferidos nas normas vigentes.

  Papel Eletrônico
Localizar um paciente Procurar na pasta Busca por nome
Acesso Quem estiver perto do armário Controle por login
Histórico Folhas separadas Linha do tempo
Perda ou dano Incêndio, água, extravio Depende de cópia de segurança
Anexos Impressos Arquivos junto da ficha
Portabilidade Difícil Exportação

O papel funciona, mas exige armário trancado e disciplina. O eletrônico facilita a busca e o histórico, mas exige escolher uma ferramenta com controle de acesso e a possibilidade de exportar seus dados. Em ambos, o que protege o paciente é a prática, não apenas o suporte.

Como organizar o prontuário no dia a dia

  1. Padronize um modelo por tipo de atendimento. Cada primeira consulta e cada retorno seguem a mesma estrutura.
  2. Registre logo após o atendimento. Quanto mais tempo passa, mais se perde.
  3. Separe o que é prontuário do que é documento emitido. Mas mantenha uma cópia de cada documento na ficha.
  4. Guarde consentimentos junto do paciente, não em uma pasta genérica.
  5. Controle quem acessa. Se há secretária ou outros profissionais, defina o que cada um pode ver.
  6. Faça cópia de segurança e saiba como recuperar um arquivo.
  7. Revise periodicamente fichas incompletas e pacientes que encerraram o acompanhamento.

Há modelos prontos para começar: veja o post sobre o que registrar no prontuário psicológico como exemplo de estrutura, mesmo se você não é psicólogo.

Erros comuns

  • Registrar de forma vaga (“paciente bem”) sem nenhum dado observável.
  • Deixar documentos emitidos sem cópia no prontuário.
  • Misturar anotações pessoais com o registro oficial.
  • Compartilhar ficha por aplicativo de mensagem sem cuidado.
  • Não ter termo de consentimento quando ele é necessário.
  • Perder a ficha de um paciente que encerrou há anos, antes do prazo de guarda.
  • Não saber qual norma do conselho se aplica à sua profissão.

Para psicólogos, vale ler também o post sobre a obrigatoriedade do prontuário psicológico.

Como o Ordexa ajuda

O Ordexa é um prontuário eletrônico para profissionais de saúde. Reúne cadastro de pacientes, prontuário com modelos por especialidade, arquivos anexados, agenda e financeiro em um só lugar. Você pode gravar ou ditar o atendimento e receber um rascunho organizado por IA, que você revisa e aprova. A transmissão e o armazenamento dos dados usam criptografia, e a plataforma foi pensada para a LGPD. É grátis até 50 pacientes, sem prazo de validade, e toda conta nova tem 10 dias com tudo liberado, sem cartão. Comece grátis.

Perguntas frequentes

O que é prontuário do paciente?

É o conjunto de registros sobre o atendimento de uma pessoa: identificação, histórico, avaliações, condutas, evolução e documentos emitidos. Serve à continuidade do cuidado e à responsabilidade do profissional.

O paciente pode pedir acesso ao próprio prontuário?

Em regra, o paciente tem direito às informações sobre o próprio atendimento. A forma de entrega e as exceções variam conforme a profissão, então confirme as orientações do seu conselho.

Prontuário eletrônico tem validade?

A Lei 13.787/2018 trata da digitalização e da utilização de sistemas informatizados para guarda e manuseio do prontuário, com requisitos de segurança. Os detalhes técnicos e de cada profissão devem ser conferidos nas normas do seu conselho.

Por quanto tempo devo guardar o prontuário?

Depende da profissão e da norma do conselho. Para psicólogos, a Resolução CFP nº 1/2009 prevê guarda mínima de 5 anos. Para as demais áreas, confira o texto oficial do seu conselho.

Prontuário e anotações pessoais são a mesma coisa?

Não necessariamente. O prontuário é o registro documental do atendimento. Anotações pessoais de estudo ou supervisão têm outra natureza, mas podem exigir cuidado com sigilo conforme o conteúdo.

Prontuário pronto sem digitar nada

Grave ou só fale o que aconteceu na sessão. A transcrição sai na hora e a IA organiza no formato de prontuário que você já usa.

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Mauricio Moraes

Mauricio Moraes

Engenheiro formado no ITA e apaixonado por aviões. Ele gosta de aplicar a tecnologia para facilitar as tarefas do dia a dia.

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